SKAVURZKA!

Que legal…
Muito legal mesmo.
Pra quem não conhece a Reversal Russa, ela era o método de debate criado pela antiga URSS para manter os olhos do povo fechado… era uma questão simples: inverter os papéis. Se eu dissesse a um russo esquerdista fanático que era a URSS que controlava o povo, ele utilizaria a Reversal pra mostrar a opinião do governo de “companheiros”: Na URSS, é o povo quem controla o governo!

Com esse argumento, eles vendavam os olhos da população para o que realmente acontecia. Mas, afinal, pra quê essa aula de história? Assista o vídeo (devidamente surrupiado de Júlia):

Como a Júlia também disse, simpático esse soviético, né?
Mas, eu não podia deixar passar isso em branco também, ainda mais que sou duplamente usuário da Vírtua!

A questão é simples… a Vírtua (que eu sempre tive como o melhor provedor de internet do Brasil) resolveu bloquear os trackers de torrent e as redes P2P! Pra quem não sabe o que é, fiz um post no Webtec Blog explicando; Então, eles bloqueiam os downloads de P2P (sabe-se lá o motivo, mas certamente eles não têm estrutura pra agüentar tanta transferência de dados) e colocam propagandas tanto na TV aberta quanto nos canais fechados da NET (que chegam a encher o saco de tanto que repetem) dizendo que quem tem Vírtua pode baixar música, filme e jogar online melhor que qualquer outro provedor… MAS COMO?

Realmente, eu não entendo porquê diabos os provedores de internet não respeitam o consumidor brasileiro que paga horrores pelos serviços… antes, eu achava que a Vírtua era o melhor provedor, agora, pra mim, ele é o menos pior.

Na Reversal Russa, é a Vírtua que fode você! SKAVURZKA!



Seis formas de amar…

Eu tava guardando esse texto pra uma ocasião especial… e acho que ela chegou. Vi em algum lugar, não me lembro onde… claro que copiei, é bonito! E hoje vai ser dedicado à uma pessoa que eu tenho magoado nos últimos dias… espero que me perdôe.

 

Ah, é claro: tem aquela coisa de pendurar faixa na rua, mandar caixa de bombons e contratar seresteiros para cantar “Codinome: Beija-Flor” na porta do ser amado. Mas demonstrar afeto não precisa ser, digamos, esse ato descarado, cheio de pirotecnia. Entre amigos, por exemplo, as menores ações é que extenuam os maiores sentimentos. E talvez você aí tenha sido alvo de uma enorme declaração de amor, só ainda não percebeu.

Não acho que mostrar carinho precise envolver altas somas de dinheiro ou palavras que fariam William Shakespeare se sentir um estivador insensível. Às vezes, mesmo sem dizer um A ou entregar pacote com laço de fita, amor e amizade são escancarados ao universo. Tudo depende de ser atento, de gostar realmente do outro e de perceber o que mostra o sentimento.

Já percebeu como é fácil notar que alguém nos adora com todo o coração? As atitudes é que demonstram tudo isso.

Ligar em datas bobas
Telefonar no aniversário ou para dar feliz Natal é praxe. Alguns infiéis esquecem até mesmo disso, mas o costume é cumprimentar o amigo ao menos na comemoração de seu nascimento. Demonstrar amor, porém, é ligar quando ele faz aniversário de casamento – e olha que você nem foi padrinho. É bater um fio ao lembrar que o cachorro dele morreu faz exatos dez anos. Ou que hoje completa-se um ano da mudança da sogra para o Acre. Isso sim é lembrança apaixonada.

Levar um quitute predileto
Manda a boa educação que, ao visitar um amigo, leve-se ao menos um vinho debaixo do braço. Ou cerveja, tequila, refrigerante de uva dois litros, que seja. Mas bonito de verdade é aproveitar a chance e presenteá-lo com uma caixa de paçoca em formato de rolha, com dois Dip’N’Liks achados no fundo do mercado, com um saquinho de Confete ou qualquer coisa que apenas ele vai apreciar de fato. Laços se fazem assim.

Ajudar com a casa
Nunca me esqueço de uma passagem do livro “Mothern – Manual da Mãe Moderna”, quando uma das moças falava sobre “amizade pós-parto”. A chegada do bebê em casa, traumática em todas as mudanças que traz, fica amenizada quando os seres queridos estão por perto. Um amigo da mãe recente, no desespero de ajudá-la naquela situação, não teve dúvidas: foi para a lavanderia, abriu a tábua de passar e tratou de assentar as roupinhas do neném. Puro amor ou o quê? Dar uma mão lavando a louça, juntando os copos ou arrasando na vassoura também vale.

Avisar de um programa
Então você está lá, bobamente zapeando canais – e variando entre dois minutos no Discovery Health, meia hora no filme do Van-Damme e três segundos parado no Canal do Boi. Toca o telefone, e é uma boa alma informando que no History Channel acaba de começar a reprise do programa sobre o Egito que você estava morrendo pra ver! Não tem dinheiro no mundo que pague um amigo sagaz e rápido de telefonema como esse.

Passar e dar carona
Proporcionar o carreto de pessoas devia contar pontos no céu. São divinos aqueles que proferem o “deixa que eu te pego” – e buscam o amigo na porta e entregam no mesmo local após o programa. Alguns mártires ainda deixam o carona escolher a estação de rádio e regular o ar condicionado. Não bastasse, há quem desvie bairros e bairros do seu caminho para apanhar o colega. Tem que haver um cantinho do paraíso para quem ama ao próximo desse modo abnegado.

Mandar cartão postal
Para mim, esse é o ápice da doçura, do apego, da camaradagem. Imagine: o indivíduo está em merecidas férias, distante de tudo e com a chance máxima de se desvincular da rotina caseira. Pois ele para na barraquinha e usa seus parcos trocados em um cartão; acha tempo de escrever uma mensagem bacana e sucinta; usa os neurônios para lembrar-se o endereço do destinatário; lambe um selo de gosto ruim; acha uma caixa de correio confiável para depositar a coisa toda. E um ato aparentemente tão simples cruza o mundo como uma linha aérea de amizade e vai fazer a alegria de outro há quilômetros de distância. Lindo, sublime. Seguramente, uma das melhores formas de amar.



Pérolas da música mundial

Sei apreciar uma música que, apesar de não ser lá reconhecidamente um primor em termos melódicos, diverte e traz bons momentos. Porém, no meio dessa rica safra acumulada desde que o homem começou a batucar na caverna até o presente momento, existem certas músicas que não trazem o bônus "é tão ruim que chega a ser legal". Elas são apenas ruins. Melhor… infernais.

Se quando escuto "We Are The Champions" tenho vontade de pegar o cabo da vassoura e sair cantando como Freddy Mercury (após haver me certificado de que não há ninguém em volta para testemunhar), quando me deparo com essas obras do Demo sinto outros tipos de vontades. Na maioria das vezes, destrutivas. É que música sempre me atinge, sabe? De muitas e distintas maneiras, dependendo do gênero. Se o gênero, no caso, for "infernal"…

Macarena (Los Del Rio)
Há muitos e muitos anos, o planeta Terra era um lugar legal de se viver. E assim permaneceu até o momento em que a febre da  "Macarena" chegou como um prenúncio do apocalipse. De lá para cá foi só descida. Para melhorar, ela ainda veio acompanhada de uma dança pior do que a do acasalamento do orangotango africano.
Conseqüência: Overdose de aspirina por conta da dor causada pelo chacoalhar da cabeça na vã tentativa de tirar a peste do cérebro.

Roxanne (The Police)
Não sei explicar ao certo o motivo, mas a cada vez em que Sting, com sua voz rouca, grita "Rooooooxanne…" na melodia em questão, algo morre devagarinho dentro de mim. Talvez seja uma coisa orgânica, algo no meu corpo que cria anticorpos contra esse hit. Ou, na teoria mais aceita, talvez esse hit seja mesmo insuportável.
Conseqüência: Tremores raivosos que fazem derrubar pratos no chão ao lavar a louça e rasgar excessivamente uma lista telefônica.

My Heart Will Go On (Celine Dion)
Se seu pai não tivesse conhecido sua mãe, você não estaria aqui, certo? Como um detalhezinho pode mudar toda uma existência… E assim foi com a canção de "Titanic". Se a fita que a gralha canadense gravou com sua versão do tema tivesse extraviado e nunca alcançado as mãos da produção do filme, bem, nossa vida estaria melhor.
Conseqüência: Ímpeto de pegar um navio e, em alto-mar, saltar para o desconhecido. Criaturas marítimas não ouvem Celine Dion, ouvem?

Love By Grace (Lara Fabian)
Mais conhecida como "a música da Camila", essa obra chorosa foi usada e abusada na novelinha global em que Carolina Dieckman tinha câncer e ficava careca. Era só aparecer a cara da personagem que o pianinho começava a tocar ao fundo de leve, chegando em um crescendo. A raiva também, a minha, chegava e ia crescendo…
Conseqüência: Arrancar os cabelos e, com eles, fazer uma simpatia para que o Manoel Carlos decida se aposentar o quanto antes.

Light My Fire (The Doors)
Eu até gosto de algumas músicas dos Doors (poucas), mas, céus, que pecado cometemos em vidas passadas para termos de agüentar um solo de teclado de 30 minutos? As únicas pessoas que suportam a tortura são os locutores de rádio, que podem finalmente ir ao banheiro, comer um lanche e tirar soneca enquanto tocam a canção. Dá tempo!
Conseqüência: Usar poderes meditativos e entrar em um estado de transe para que ruído algum chegue à mente pela meia hora seguinte.

I Will Always Love You (Whitney Houston)
Primeiro, havia a guilhotina. Depois, veio a bomba atômica. Em seguida, suspeitas de armas biológicas. E então, quando achamos que tudo de ruim já havia sido criado pela sede de destruição do homem, chega Whitney Houston berrando "And I ia ia… will always love you uuuu… ia…. ia… ia… will always… love you uuuu… uuuu… ".
Conseqüência: Vontade de morder o próprio pescoço, arranhar as unhas na parede, mastigar pedra, beber óleo queimado…

Outras que simplesmente me enlouquecem são as "novas MPB’s"… Sem citar o funk! Maldito funk! Devia ser considerado crime constitucional… Mas essas, nem vou citar… Corro o risco de não acabar de escrever hoje!



Namorados

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo.
Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namoro de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, de saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia.
Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas, namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda, decidida ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição. Quem não tem namorado, não é que não tem um amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode não ter um namorado.
Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa é quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugida ou impossível de durar.
Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas: de carinho escondido na hora em que passa o filme: de flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, fazer cesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira d’agua, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos e musical da Metro.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não chateia com o fato de o seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo, e quem tem medo de ser afetivo. Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e de medo, ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras, e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada, e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo da janela.
Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada.
Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uam névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteira: Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. Enlou-cresça.

Carlos Drummond de Andrade




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