Seis formas de amar…
Eu tava guardando esse texto pra uma ocasião especial… e acho que ela chegou. Vi em algum lugar, não me lembro onde… claro que copiei, é bonito! E hoje vai ser dedicado à uma pessoa que eu tenho magoado nos últimos dias… espero que me perdôe.
Ah, é claro: tem aquela coisa de pendurar faixa na rua, mandar caixa de bombons e contratar seresteiros para cantar “Codinome: Beija-Flor” na porta do ser amado. Mas demonstrar afeto não precisa ser, digamos, esse ato descarado, cheio de pirotecnia. Entre amigos, por exemplo, as menores ações é que extenuam os maiores sentimentos. E talvez você aí tenha sido alvo de uma enorme declaração de amor, só ainda não percebeu.
Já percebeu como é fácil notar que alguém nos adora com todo o coração? As atitudes é que demonstram tudo isso.
Ligar em datas bobas
Telefonar no aniversário ou para dar feliz Natal é praxe. Alguns infiéis esquecem até mesmo disso, mas o costume é cumprimentar o amigo ao menos na comemoração de seu nascimento. Demonstrar amor, porém, é ligar quando ele faz aniversário de casamento – e olha que você nem foi padrinho. É bater um fio ao lembrar que o cachorro dele morreu faz exatos dez anos. Ou que hoje completa-se um ano da mudança da sogra para o Acre. Isso sim é lembrança apaixonada.
Levar um quitute predileto
Manda a boa educação que, ao visitar um amigo, leve-se ao menos um vinho debaixo do braço. Ou cerveja, tequila, refrigerante de uva dois litros, que seja. Mas bonito de verdade é aproveitar a chance e presenteá-lo com uma caixa de paçoca em formato de rolha, com dois Dip’N’Liks achados no fundo do mercado, com um saquinho de Confete ou qualquer coisa que apenas ele vai apreciar de fato. Laços se fazem assim.
Ajudar com a casa
Nunca me esqueço de uma passagem do livro “Mothern – Manual da Mãe Moderna”, quando uma das moças falava sobre “amizade pós-parto”. A chegada do bebê em casa, traumática em todas as mudanças que traz, fica amenizada quando os seres queridos estão por perto. Um amigo da mãe recente, no desespero de ajudá-la naquela situação, não teve dúvidas: foi para a lavanderia, abriu a tábua de passar e tratou de assentar as roupinhas do neném. Puro amor ou o quê? Dar uma mão lavando a louça, juntando os copos ou arrasando na vassoura também vale.
Avisar de um programa
Então você está lá, bobamente zapeando canais – e variando entre dois minutos no Discovery Health, meia hora no filme do Van-Damme e três segundos parado no Canal do Boi. Toca o telefone, e é uma boa alma informando que no History Channel acaba de começar a reprise do programa sobre o Egito que você estava morrendo pra ver! Não tem dinheiro no mundo que pague um amigo sagaz e rápido de telefonema como esse.
Passar e dar carona
Proporcionar o carreto de pessoas devia contar pontos no céu. São divinos aqueles que proferem o “deixa que eu te pego” – e buscam o amigo na porta e entregam no mesmo local após o programa. Alguns mártires ainda deixam o carona escolher a estação de rádio e regular o ar condicionado. Não bastasse, há quem desvie bairros e bairros do seu caminho para apanhar o colega. Tem que haver um cantinho do paraíso para quem ama ao próximo desse modo abnegado.
Mandar cartão postal
Para mim, esse é o ápice da doçura, do apego, da camaradagem. Imagine: o indivíduo está em merecidas férias, distante de tudo e com a chance máxima de se desvincular da rotina caseira. Pois ele para na barraquinha e usa seus parcos trocados em um cartão; acha tempo de escrever uma mensagem bacana e sucinta; usa os neurônios para lembrar-se o endereço do destinatário; lambe um selo de gosto ruim; acha uma caixa de correio confiável para depositar a coisa toda. E um ato aparentemente tão simples cruza o mundo como uma linha aérea de amizade e vai fazer a alegria de outro há quilômetros de distância. Lindo, sublime. Seguramente, uma das melhores formas de amar.
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